

Só sei que antes mesmo da minha hora, já estou a morar no cemitério.
E por mais que digam-me que é algo amedrontador, recuso a crer. Tudo é tão calma, tão preservado, talvez não seja lá tão preservado assim, até porque é impossível deter a deterioração. No início tudo ao meu redor dava-me medo, pessoas mortas, árvores negras, escuridão quase plena, pequenas tumbas de anjinhos e quem sabe até a morte rondando-me pelo terreiro. Agora, todos são meus amigos, e surpreendem-me a cada segredo que me revelam, mesmo do outro lado da morte, ou da vida, se assim preferir, o medo da humanidade é pleno. Ainda que haja um abismo entre esses dois mundos e eu por entre eles seja transportada, e ainda que eu seja humana recuso-me a permanecer em um mundo pela metade, meias árvores, meias vidas, total degradação, falsos sorrisos.
Diziam-me que a morte era merecedora de meu medo, porquê? Se é a única que nos transmuta de mundos, sem nada cobrar, se recolhe a cada bomba que caia na terra e fumaça que se ergue, novas almas? Ela é solidaria para muitos, e má para poucos, mas ela nos proporciona a mudança e reconhecimento de que o hoje é único, e dias iguais não existem, e em meio ao medo nos lembra de valorizar o que ainda temos.
Lado a lado, ela nos aconselha a viver a cada chance, pois como a que foi dada já não será mais vista. A única oportunidade repetitiva é a ilusão de ter chegado a sua hora, mas a verdadeira já está marcada, já está certa!
S.G


Oi Gabih...
ResponderExcluirEsse post sobre a morte foi incrivel, abordou o tema de uma forma que me fez parar pra pensar que não hà o porque de ter medo da morte!
Feliz ano novo!
bjinhos*/~
Bonito, a morte não deveria ser tão temida, porque ela faz parte da vida, seja lá o que venha depois.
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